6.1.12

eric kayser, a propósito do dia de reis e de outras coisas boas

[A entrada da loja Eric Kayser em Lisboa, às Amoreiras (foto de divulgação)]

Não morro de amores pela localização da primeira loja Eric Kayser, mas ainda assim dei por mim, nos últimos tempos, a ir lá de propósito mais de uma vez.

Isso deve querer dizer alguma coisa, não?

Na verdade, não é que a localização seja má. Apenas não sou muito fã do conceito do Amoreiras Plaza, mas, menos mal, a Eric Kayser versão lisboeta encontra-se acessível a partir da rua, bem em frente a uma das entradas laterais do vizinho centro comercial das Amoreiras.

[A loja, com um espaço para refeições à retaguarda (foto de divulgação)]

Esclarecida a geografia, passo ao que realmente interessa.

[Moderna e ampla, assim é a primeira loja Eric Kayser em Lisboa (foto de divulgação)]

Temos muito bom pão e a nossa doçaria, pese algum exagero nas doses de açúcar e ovos, é de mão cheia, mas falta à tradição portuguesa um certo refinamento em que os franceses, justiça lhes seja feita, são mestres.

[Quando o tempo permite, há mesas na calçada (foto de divulgação)]

Por isso mesmo, e sem desprimor para os nossos produtos, têm-se sucedido em Portugal, sobretudo em Lisboa, novos endereços que procuram recriar, com a devida distância, as padarias e as pastelarias finas que o nosso imaginário associa a Paris.

[Uma das muitas coisas boas à disposição na Eric Kayser (foto de divulgação)]

Já falei de alguns casos mais recentes, como a Quinoa ou a Poison d'Amour, mas a primeira incursão da Eric Kayser em território nacional parece-me, até prova em contrário, a mais bem sucedida no seu conjunto.

[Eric Kayser, o francês que fez da padaria fina um bom negócio (foto de divulgação)]

Eric Kayser ainda se diz um artesão e um artista, mas a verdade é que a sua Maison Kayser se tornou, há muito, uma marca muito apetecível do ponto de vista dos negócios, pelo que o seu nome e conceito se estendem agora de Paris a Moscovo.

[A par dos pães, os doces são a grande perdição da Eric Kayser (foto de divulgação)]

A chegada a Lisboa deu-se pelas mãos dos sócios Laurent d'Orey, luso-francês dono da cadeia Monceau Fleurs, e do francês Lucien Letartre e tem corrido tão bem que, segundo me confidenciou o primeiro, já pensam em abrir, ainda durante o primeiro trimestre deste ano, uma segunda loja em Lisboa (endereço a anunciar).

[Os diferentes tipos de baguettes (foto de divulgação)]

A razão do sucesso está à vista. De manhã e ao final da tarde, sobretudo, é ver a fila que se forma para levar para casa muitos dos pães que não aquecem o lugar nas prateleiras. Entre as variedades mais apetecidas, vários tipos de baguettes (das rústicas às de cereais ou com sementes de papoila) e os pães de figo, nozes, frutos silvestres, queijo ou azeitona.

[O pão de nozes, uma das especialidades (foto de divulgação)]

Esta é uma padaria artesanal, pelo que vieram de Paris dois padeiros munidos das técnicas necessárias. Veio também um pasteleiro, outro dos trunfos desta casa, que enche o balcão envidraçado de guloseimas de arregalar os olhos como tartelettes, financiers, madalenas, mil-folhas, brownies, éclairs, mi-cuit de chocolat... e por ai vai, só para citar os mais evidentes, sem esquecer, claro, os macarons que saem à unidade (€1,1) ou à caixa.

[Os macarons à la Kayser (foto de divulgação (foto de divulgação)]

Os olhos comem, mas nem sempre os demais sentidos acompanham tamanho entusiasmo. Ciente dessa usual "armadilha", já provei ali, em diferentes ocasiões, croissants, pains au chocolat e diversos outros doces. Gostei particularmente do mi-cuit de chocolat (€1,80 a unid.) e do croissant, com uma massa tão fina e estaladiça que, sim, cumpria o preceito de se desfazer na boca. Já o pain au chocolat (€1,20 a unid.) saldou-se por uma vitória e um revés: num dia estava delicioso, massa e recheio de chocolate no ponto certo; numa outra vez, encontrei-o emaçarocado e o chocolate duro. Preciso de um tira-teimas.

[O Pain au Chocolat (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Outra coisa boa na Eric Kayser lisboeta, além dos preços razoáveis, é a sua opção de pequenos-almoços (ou de brunch aos fins-de-semana) — sai por €5 com direito a meia baguette, croissant ou pain au chocolat, compota de mel, manteiga, sumo natural de laranja e chá ou café — e de comidas ligeiras como sanduíches, quiches ou saladas.

[A tartelette de limão (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O espaço também privilegia a praticidade, sem grandes frescuras. Não é um salão de chá rococó, é uma loja multifunções, moderna, com uma boa área à retaguarda — ponto para as mesas de madeira conjugadas com cadeiras brancas de Charles e Ray Eames — destinada a quem se quer demorar um pouco.

[O Bolo Rei da Eric Kayser (foto de divulgação)]

E já que estamos em Dia de Reis, a encerrar o período de festas que já vai longo, digo a quem (ainda) não sabe que a Eric Kayser, entre outros mimos da quadra, possui uma linha própria de Bolo Rei e, para quem prefere os frutos secos às frutas cristalizadas, de Bolo Rainha. Vêm embrulhados comme il faut e o seu preço ronda os €17 a unidade.

[O Bolo Rainha da Eric Kayser (foto de divulgação)]

Amoreiras Plaza, rua Silva Carvalho, 321-lj C, tel.: 211 927 894, de seg. a dom., entre as 07.30 e as 20.30

2 comentários:

Custódia C.C. disse...

Olá João Miguel (e bom ano para ti que ainda estamos em tempo)
E assim de repente deu-me uma saudade das boulangeries-pâtisseries parisiennes!
Tenho que visitar rapidamente o Eric :)

joão miguel simões disse...

Bom Ano, Custódia! :)
Acho que vais gostar.

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