6.8.12

a esperança é a última a morrer na sé

[A esplanada do Esperança da Sé (foto de divulgação)]

O tempo de pausa no blog (neste e nos outros que levam a "marca" @ddressbook) não foi premeditada, mas, entre vários afazeres (e para quem não sabe posso adiantar que, desde o número de maio, estou também a fazer a coordenação editorial da revista Volta ao Mundo), acabei por me ausentar mais do que o previsto ou desejado.

Vou-me redimir, prometo, nos próximos dias :)

Em fila de espera, o Esperança da Sé. Já deram por ele? Eu, mea culpa, só lá fui em junho.

Devo confessar que graças ao meu maravilhoso sentido de orientação, levei mais tempo a encontrá-lo do que deveria. Mas o problema não está na sua localização. É mesmo um caso grave, e sem fé, de desorientação.

À minha espera tinha uma amiga que, vira e mexe, torno cúmplice destas lambanças. E este é o meu primeiro conselho para quem ainda não foi ao Esperança da Sé: se puder, leve companhia. É o tipo de restaurante que se presta à partilha e à conversa.

Durante anos, o Esperança do Bairro Alto foi (suponho que ainda seja, mas há um bom tempo que só passo à porta) morada certa para quem queria um restaurante ao mesmo tempo cool e íntimo. A comida italiana cumpria e nos dias mais concorridos chegava a haver dois turnos de jantares para dar conta de tanta reserva. O ambiente "no escurinho do cinema" depressa tornou-se a sua marca registada, mas das vezes em que ali jantei, recordo-me, não me importaria nada que as luzes estivessem um ou dois tons acima (acho sempre complicado quando temos de andar à procura de um foco de luz para conseguir ler a ementa...).

[E a Sé logo ali, na rua em frente (foto de divulgação)]

Talvez por isso, uma das primeiras coisas que reparei ao entrar na Esperança-benjamim — e entrar é quase uma força de expressão, pois em dias de verão, o mais certo é estar de portadas abertas de par em par, atento à vida que corre em Alfama — foi na iluminação que, apesar de velada e com recurso também a velas, não é tão drástica. Melhor assim. Não se perde a carga romântica, e algo dramática, que vai bem com um edifício antigo recuperado e quase paredes-meias com a histórica Sé de Lisboa, mas também não temos de adivinhar a ementa.

Aberto há um ano, mais coisa menos coisa, este Esperança fez da esplanada, essa sim colada a um dos flancos da Sé, do outro lado do passeio, a principal novidade. Podendo escolher, eu talvez preferia onde fiquei, precisamente numa mesa à janela, com um pé dentro, mas com o olhar solto para me demorar, se preciso fosse, em cada pedra rebuscada da atração em frente. Isto porque a Sé, como monumento que é, encontra-se devidamente alumiada, mas sem nada de fantasmagórico. Pelo contrário, vista daquele ângulo, apresenta uma escala humana à dimensão do apelo castiço de Alfama.

[O Esperança da Sé está de pedra e cal num edifício antigo de Alfama (foto de divulgação)]

Assim é também o Esperança. Não chega a ser castiço, mas consegue ter uma atmosfera de bairro, sem ser bairrista, que não destoa.

E a comida, por que raio não estou a falar da comida? Afinal, não foi para isso que lá fomos?

A comida, como no do irmão mais velho, cumpre aquilo a que se propõe. Não se pode dizer que seja um restaurante barato para os padrões de Lisboa (conte com uma média de 25 euros por pessoa com vinho), mas é convivial, despretensioso e bem intencionado.

[Uma das criações mais recentes da casa: prato "três pastas" (foto de divulgação)]

Na ementa, há pizzas salgadas e doces, pastas, crepes, risottos e até uma parceria com os gelados Santini no capítulo das sobremesas. É uma cozinha italiana rápida, que no lugar dos velhos clássicos se permite já um toque de modernidade, apostando em combinações fáceis de degustar e de caírem no goto.

[O risotto nero, sucesso da casa (foto de divulgação)]

É o caso da Pizza Gourmet Fichi, que doseia a doçura dos figos com uma base de queijo de cabra e presunto de Parma, ou do prato "três pastas, que permite degustar de uma assentada spaghetti al parmegiano com tartufo, linguini de vieiras e ainda linguini nero fresco e gamberi. Favorito de muito é o risotto nero, assim chamado porque tingindo com a tinta dos chocos, levando ainda tomate, limão e bacon.

Rua São João da praça, nº 103, 
Alfama, tel. 218 870 189, aberto de seg. a sex., das 19.30 às 00.00; aos sáb., dom. e feriados, das 13.00 às 16.00 e das 19.30 às 00.00. 

24.6.12

um menu, tintim por tintim, da nova carta de verão do pedro e o lobo

[Diogo Noronha de Andrade e Nuno Bergonse (foto de divulgação editada por jms)]

Em praticamente dois anos de casa aberta, o restaurante Pedro e o Lobo continua, volta e meia, a ser notícia e a embelezar as páginas de jornais e revistas. Deve ser bom sinal.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

Dias atrás, porém, vi uma das últimas produções fotográficas da dupla de chefs, o Nuno Bergonse e o Diogo Noronha de Andrade, e numa das fotos aparecia um deles — já não me lembro qual — a fazer o pino...

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

Percebo o espírito da coisa e até concordo que combina com uma certa irreverência e ideia de "cozinha atrevida" que querem passar, mas, a verdade é que não são precisas piruetas ou cambalhotas para repararmos neles ou no trabalho que têm vindo a desenvolver.

[A focaccia e o pão de tomate, entre as opções no couvert (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Sobre o restaurante e os chefs não me vou alongar muito mais, até porque já contei a história antes aquirecordo o essencial: dois jovens chefs de apenas 32 (Diogo) e 25 anos (Nuno), o que lhes dá ainda uma boa margem de progressão; cinco sócios (além dos chefs, José Maria Vieira da Silva, Luís Baptista e Patrícia Baptista); uma decoração nórdica-industrial com um toque rétro dos anos 1950; uma cozinha contemporânea, com influências portuguesa e mediterrânica.

[A abrir, o amuse-bouche (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Há uma semana apresentaram oficialmente a nova ementa de verão, com direito a uma versão especial do menu de degustação que passo a mostrar e a comentar, tintim por tintim, de seguida. Antes, adianto-me e digo já que, tirando uma certa insistência em puxar quase ao limite a dicotomia doce-salgado em certos pratos (uma tendência que já lhes vem de trás), gostei do que vi e provei — visualmente, o empratamento foi sempre muito equilibrado, com composições quase poéticas; pelo menos dois pratos (uma entrada e uma sobremesa) ficaram-me na memória, o que é um feito e tanto se levarmos em conta que, nos últimos tempos, só não perdi a conta a todas as degustações que fiz porque tenho registo das mesmas.

[O creme e a caracoleta assada (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

A abrir os trabalhos, um amuse-bouche, servido sobre ardósia, com ovas de pescada, chip e barriga de porco. A acompanhar um Cartuxa Espumante Bruto Rosé. Agradável, mas o que me arrebatou (e a quem partilhava a mesa comigo) foi um creme de alho e amêndoas, que levava ainda alfaces e rabanetes e... uma caracoleta assada. Bonito de ver e muito, muito saboroso de comer. A caracoleta vinha fora da concha, mas esta última não estava vazia... No interior, parte do creme, aveludado, e uma decisão a tomar: sorve-lo diretamente da fonte, como se faz com os caracóis, ou misturá-lo no prato. Interessante também a amêndoa torrada inteira, a introduzir uma nota de crocância.

[O pato com cenoura (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Ainda nas entradas, e mantendo o Cartuxa branco de 2009, um naco de pato com várias texturas: cenoura, requeijão e gengibre. Foi uma das tais composições em que o salgado e o doce foram levados quase ao limite. Eu não iria, talvez, tão longe, mas admito que seja uma questão de paladar.

[O atum, mas não só (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Voltamos a um Cartuxa Espumante Bruto, mas desta feita um Reserva de 2008. Boa escolha para acompanhar o atum patudo, apenas ligeiramente rosado comme il faut, com abacate, cayenne migada, vinagreta de anchovas e coentros e, o toque mais marcante, beterraba. Atentos ao regresso desta herbácea à alta gastronomia, depois de anos e anos votada ao ostracismo, os chefs apresentaram-na em duas consistências diferentes.

[O Redondo de novilho (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O roxo haveria de dar novo ar da sua graça no próximo prato de carne. Confesso que estou um pouco cansado do recurso ao redondo de novilho, mas achei interessante a sua conjugação com chalotas, couve roxa, laranja, tutano e algas. Em conjunto deram um travo ácido, quase amargo, que cortou bem a carne mais gorda. Para beber, um Cartuxa tinto, Reserva de 2008.

[O Cremoso de sobremesa (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Depois de vários pratos, repito-me, a chegada da sobremesa pode revelar-se ingrata. Ela precisa ser realmente boa para vencer o nosso palato cansado e o estômago a pedir tréguas. Pois esta, eu tive de me controlar para não a devorar até ao fim. Para começar, um colírio para os olhos. Várias texturas, cremosas e crocantes, cortadas pelo cítrico do sorvete. Fixem este nome para pedirem uma igual: Cremoso negro, branco e natas, streuzel de amêndoas e chocolate, opalines e ginja.

[Petit fours de framboesa (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Por ela não abri mão do café a encerrar, mas já só tive olhos, e não mais barriga, para apreciar os petit fours servidos no final: línguas de gato de framboesa e macarons de pistache. Um dó de alma, eu sei.

[Os macarons de pistache (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Uma última achega para acrescentar que o Pedro e o Lobo serve almoços e jantares, sempre à la carte, mas com a opção de menu executivo (entre 18 e 22 euros com um copo de vinho incluído) nos primeiros e menu de degustação (36 euros sem bebidas) nos segundos.

Rua do Salitre, 169, tel. 211 933 719, de seg. a sex., almoços entre as 13.00 e as 15.00; jantares entre as 20.00 e as 23.00; encerra sáb., ao almoço, e domingo, todo o dia

22.6.12

domingo é dia de bitoque e batatas fritas no bairro alto hotel

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

Numa altura em que se multiplicam os brunchs de fim de semana um pouco por toda a cidade, o Flores, restaurante do Bairro Alto Hotel, ao Chiado, chegou à conclusão de que essa sua proposta não estava a resultar como seria o desejado.

Mas não há tempo para lamúrias.

Sai o brunch e entra o bitoque.

A partir de agora, e sempre aos almoços de domingo (prolongados até às três da tarde para dar tempo às pessoas de aproveitaram a manhã), o bife com ovo estrelado a cavalo, muito molho e batatas fritas passa a ser o prato forte do Flores.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

E há coisa mais portuguesa do que um bom bitoque?

Foi precisamente isso que pensaram no Bairro Alto Hotel, tanto que o chef Vasco Lello foi incumbido de, sem inventar muito (afinal um bitoque é... um bitoque), dar um toque especial à receita popular.

O bitoque à Bairro Alto Hotel apresenta-se em duas opções: carne de acém (com mais gordura), a 16 euros, e do lombo, a 20 euros.

O preço inclui ainda uma dose de batatas fritas e outra de salada a acompanhar. Obrigatórios, ovo estrelado a cavalo e, claro, muito molho. Na versão de Lello não foi usado café, mas sim, entre outros ingredientes, louro e um pouco de limão no final para introduzir uma ligeira nota mais ácida.

Provei e achei saboroso. Veremos se vai conseguir atrair uma nova clientela ao hotel num dia de grande movimento na Baixa-Chiado. E, já agora, se terá trunfos suficientes para competir com o bife da cervejaria Trindade ou até mesmo com La Brasserie de l'Entrecôte, a dois passos — mostrei estas fotos a alguns amigos e o comentário geral foi: mas não é um bocado minimal de mais?!...

Bairro Alto Hotel | Praça Luís de Camões, 2, 213 408 252

31.5.12

fora de portas: reviver a pompa e circunstância de seteais a pretexto dos bons vinhos de colares

[Fachada do Tivoli Palácio de Seteais (foto de divulgação)]

As horas, os dias, as semanas, os meses, e até os anos, passam a correr e, quando damos por eles e por nós, já passou um bom tempo desde que estivemos pela última vez num lugar de que gostamos.

[A piscina (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

É o caso do Palácio de Seteais, na encosta da serra de Sintra, onde funciona desde há muito um hotel do grupo Tivoli que soube manter a sua aura palaciana e valorizar um tipo de arquitetura civil e residencial neoclássica típica do século XVIII que, não há volta a dar, pede requinte, serviço sem mácula e toda uma série de ornamentos — das pinturas e frescos às tapeçarias, passando pelo mobiliário de época, luminárias ou porcelanas — que lhe façam inteiramente justiça.

[Um dos salões nobres (foto de divulgação)]

Entre fevereiro de 2008 e fevereiro de 2009, o hotel-palácio esteve fechado para um restauro profundo que envolveu, entre outras, a Fundação Ricardo Espírito Santo. Não foi coisa pequena e o resultado vê-se até hoje.

[A escadaria na entrada (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Pour le plaisir des yeux — um regalo para os olhos.

Mas, para lá da pompa e circunstância das suas áreas nobres, que sempre me levam a reservar alguns minutos para as passar em revista (nem que seja de fugida), o que me trouxe de volta ali, dias atrás, foi a paparoca.

[Chef Luís Baena (©joão miguel simões todos os direitos reservados)]

O chef Luís Baena, um discípulo assumido da cozinha tecnoemocional sempre que o faz num registo mais autoral (e tentou fazê-lo no seu restaurante lisboeta Manifesto que, ao que tudo indica, encerra as portas no mês de junho...), ocupa — desde 2007, se não me falha a memória — o cargo de chef executivo do grupo Tivoli Hotels & Resorts.

[O restaurante Seteais (foto de divulgação)]

Não é pêra doce e obriga a um bom jogo de cintura, já que tem de estabelecer, constantemente, um compromisso entre o que é a sua linha de cozinha e as necessidades práticas dos hotéis.

No caso de Seteais, onde funciona um restaurante com o mesmo nome de amplas vistas para os maravilhosos jardins, o chef em funções é António Santos, mas Baena, claro, tem uma palavra a dizer.

[O restaurante Seteais (foto de divulgação)]

Ainda que os hóspedes sejam a prioridade, o hotel sabe que atrair clientela de fora é fundamental nos dias que correm. Tanto mais porque Sintra continua a ser um destino incontornável para os passeios de fim-de-semana de muito boa gente.

Nesse sentido, e ajuizadamente parece-me, têm vindo a apostar em cartas mais nacionais, com uma degustação preparada no famoso trolley da Christofle nos jantares de sexta e sábado ou ainda um carro-buffet de 18 acepipes servido nos almoços de domingo. Igualmente tentadores são os lanches à portuguesa, outra tradição recuperada aos fins-de-semana, entre as 16.00 e as 18.30, que incluem pães, queijos e charcutaria regionais, além de bebidas mais adequadas ao verão (sumos naturais, capilé...) e inverno (chás da TWG e chocolate quente).

[A postos para a maridagem com os vinhos de Colares (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

No almoço em que estive, uma ocasião especial, Baena assumiu a cozinha e veio inúmeras vezes à sala para explicar o casamento que realizou entre os vários pratos e os vinhos selecionados da Adega Regional de Colares.

[A salada de mexilhões (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Assumo: do que comi — salada morna de mexilhão com legumes temperados com vinagrete de ananás, maracujá e goiaba, de entrada; robalo recheado com cogumelos e tomate, puré de batata, crosta de salsa e molho de camarão da costa; carrilheira de novilho confitada, arroz cremoso de beterraba fumada; e travesseiro de Sintra com gelado de chá preto dos Açores de sobremesa —, nada me entusiasmou por aí além, mas entendo que se tratava de um menu mais abrangente, com limitações de ordem prática e a obrigação, provável, de cumprir um orçamento.

[O Robalo (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Por outro lado, foi interessante ouvir o Aníbal Coutinho, enólogo, crítico de vinhos e consultor da carta de bebidas da rede Tivoli, a explicar porque se impõe uma maior atenção às novas colheitas (e não só) que estão a sair da mais antiga cooperativa do país — a Adega de Colares foi fundada em 1931 —, integrada numa região demarcada que leva a denominação de origem e a indicação geográfica de Vinho Regional Lisboa.

[O travesseiro com o gelado de chá preto, a acompanhar o licoroso Conde de Oeiras (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Curioso é que muitos não saibam, mesmo os portugueses, que na região de Lisboa se produzem bons vinhos desde há muito. A prová-lo, não só os de Colares — de que fazem parte os do Senhor d'Adraga, do Casal de Santa Maria e de quem já falei aqui —, mas também o Conde de Oeiras, para dar outro exemplo. Este vinho licoroso, muito associado ao Marquês de Pombal, foi-nos aliás servido com a sobremesa, numa manobra de charme que atesta bem a vontade em recuperar também o Vinho de Carcavelos.

À falta de outras oportunidades, ficam a saber que em Seteais alguns destes vinhos estão na carta e podem ser desfrutados por quem ali for. 

Tivoli Palácio de Seteais | Rua Barbosa do Bocage, 8, Sintra, tel. 219 233 200

30.5.12

as andorinhas anunciam a primavera e a reabertura do sky bar diz-nos que já não falta muito para o verão

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Ontem, via Instagram, postei a foto acima com a seguinte interrogação-certeza: como não amar Lisboa?

Numa cidade aos altos e baixos, que se gaba de possuir sete colinas como Roma — nunca as contei, num caso como noutro —, claro que não faltam miradouros e outros pontos mais ou menos altaneiros que nos permitem, qual pássaros, pairar sobre Lisboa.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
De entre as várias possibilidades, confesso que gosto particularmente da vista oferecida pelo Sky Bar, no cocuruto do hotel Tivoli Lisboa, que vira as costas à avenida da Liberdade e esparrama-se, mapeando o coração da cidade, até à outra margem do Tejo. 


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
Sobre o Sky Bar, propriamente dito, não há grande coisa a acrescentar para lá do que já (des)escrevi aqui, pelo que a boa nova é mesmo a sua reabertura para mais uma temporada estival, entre maio e outubro.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
Os dias não serão sempre de Sol; nem as noites serão sempre estreladas. Mas conforta-me saber que, doravante e durante os próximos meses, recuperámos um terraço que nós, lisboetas (sintam-se incluídos todos os que o são de alma e coração), aprendemos rapidamente a rimar com a ideia de verão.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
As fotos que aqui mostro foram tiradas num dia de festa. Não vai ser sempre assim com esta mise-en-scène, é bom dizê-lo, mas o cenário é este: ar livre, bambus, almofadões e narguilés de inspiração marroquina, sofás, candeeiros de pé alto, dois bares e o restaurante Terraço de apoio.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
A animação, com Dj's, será focada nas noites fortes de quinta, sexta e sábado (altura em que ficará aberto até à uma da matina), mas durante os dias de semana o espaço estará aberto logo a partir das 17.00 — ideal para uma, duas, três, quantas horas felizes forem precisas para nos fazer esquecer a jornada de labuta e/ou prolongar o descanso. 


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
Aos fins-de-semana, a informação que tenho é de que vai abrir a partir das 11.00, devendo manter-se a aposta de refeições ligeiras e/ou brunch. A confirmar.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
Hotel Tivoli Lisboa | Av. da Liberdade, 185, tel. 213 198 832

21.5.12

confirma-se: depois das amoreiras, a eric kayser vai abrir, até agosto, uma segunda loja no chiado


Há uns meses — não muitos, mas o tempo passa rápido —, quando comecei a falar aqui da Eric Kayser em versão lisboeta, disse logo que na calha estaria já uma segunda loja em Lisboa.

Não deu outra.

Até agosto, os sócios Laurent d'Orey e Julien Letartre esperam ter a casa arrumada para abrir as portas da sua nova localização na rua do Carmo (à Baixa Chiado, na esquina com o elevador de Santa Justa), num espaço que já foi da Livraria Portugal.

A segunda Eric Kayser lisboeta ocupará cerca de trezentos metros quadrados, repartidos pelos dois primeiros pisos de um edifício que deverá incluir ainda apartamentos para arrendar.

Até onde apurei, a Eric Kayser do Amoreiras Plaza está a correr muito bem, mas não conseguiu, até ver, fazer vingar como desejado a sua linha de refeições leves. Por isso mesmo, o Chiado, que tem outro tipo de movimento (de locais e turistas), deve revelar-se providencial nesse sentido.


Para lá da linha de pães e bolos que são sucesso garantido da marca (e cuja produção será partilhada com a unidade das Amoreiras), os dois sócios prometem inovar (fala-se num segundo andar destinado às refeições da hora do almoço). Entre as novidades já avançadas, destaca-se uma uma linha própria de sanduíches embaladas para levar e produtos como uma club sandwich de salmão e creme de queijo em pão de açafrão, um croq monsieur com queijo gratinado e molho bechamel, um gaspacho fresco ou ainda o "bolero", um doce de limão com cobertura de frutos vermelhos.

Mas não é tudo. A Santini, mesmo ali ao lado, terá a concorrência dos gelados da Artisani — ler aqui —, que será uma das parceiras da Eric Kayser Chiado.

Agora é só esperar para ver e (com)provar. 

22.3.12

maravilhas gastronómicas dos açores inspiram o flores, no bairro alto hotel, a criar semana do mar (até 25.03)

[A temerária Bicuda, também conhecida por barracuda ou Sphyraena viridensis, (©jp barreiros, todos os direitos reservados)]

Prestes a completar um ano de casa, o jovem chef Vasco Lello (falei dele aqui e aqui) tem feito um percurso discreto, sem muito alarido à sua volta, mas interessante; sobretudo se levarmos em conta que um restaurante de hotel obriga sempre a um compromisso (nem sempre fácil de gerir, diga-se) entre a cozinha mais autoral e uma série de pratos pièce de resistance (os mais "clássicos" que, por se tratar de um hotel, todos esperam encontrar ali).

[A decoração do Flores alusiva à Semana Gastronómica do Mar dos Açores (©sofia simões, todos os direitos reservados)]

Premiado, não faz muito tempo, com “2 Garfos” no concurso Lisboa à Prova, o restaurante Flores, comandado por Lello, tem feito um esforço assinalável para não ficar fechado na sua concha, nem limitado a quem se hospeda no hotel, e continua a apostar em iniciativas e eventos gastronómicos para atrair os lisboetas (e não só) até si.

[Pequeno e intimista, o Flores deixa entrar um pouco do Chiado a caminho do Bairro Alto pelas suas janelas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


É o caso da Semana Gastronómica do Mar dos Açores, a decorrer até ao próximo domingo (dia 25), que corrobora a preocupação de Lello em incluir, cada vez mais (e isso nota-se igualmente a cada nova carta sazonal), produtos portugueses como tortulhos, zimbro, castanhas e, claro, o bom peixe da nossa costa.

[Queijo fresco com pimentão e manteiga temperada com flor de sal, o couvert (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


O peixe português, para quem ainda não reparou, está em alta; em especial o que nos chega do arquipélago açoriano. Mais do que as teses, os argumentos e o interesse de saber se é ou não o melhor do mundo — este tipo de afirmações envolvem sempre alguma subjetividade, mas, neste caso, pode ter o mérito de gerar maior discussão em torno do tema e com isso agregar novas adesões à "causa" —, importa saber que, de dia para dia, ganha adeptos na alta gastronomia nacional e internacional, sendo já vários os chefs que não o dispensam nos seus cardápios.

[Na entrada, creme de caranguejo e pimenta da terra com croutons de massa sovada (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)] 

Voltando à proposta temática do Flores, Lello não se limitou, como seria de esperar, ao peixe açoriano. Este foi, digamos, a base, o ponto de partida para criar, diariamente e ao longo de uma semana, uma série de entradas e pratos (além das sobremesas, que não levam peixe nem mariscos) que deitam mão a outros ingredientes típicos dos Açores como o inhame, o maracujá ou a batata doce. E não só.

[Outra opção de entrada, queijo da serra da Estrela
marinado em carpacio e queijo da ilha (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

A ementa de inspiração açoriana muda todos os dias, até domingo, e está a ser servida numa fórmula de menu executivo (€21 por pessoa) com direito a escolher uma entrada, um prato e uma sobremesa. A exceção é a sexta-feira, dia 23, em que o Flores mantém o seu habitual buffet (mas que neste caso alinhará pelo tema, mantendo o valor de €27,50 por pessoa).

[Nos pratos, peixe-espada assado com batata-doce, ananás e maracujá (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Peixes como a moreia, o encharéu, a bicuda, o rocaz, a abrótea, o peixe-porco, o atum, a cavala, o peixe-espada ou o espadarte (só para citar alguns) são as estrelas do menu, que ainda assim manteve, em paralelo e numa versão mais reduzida, outras propostas da estação. Estive ali ontem, ao almoço, e Lello, com quem troquei algumas impressões no final da refeição, pareceu-me, não obstante a sala a meio-gás,  satisfeito com a adesão das pessoas ao menu-temático.

[Ainda outro prato, bicuda com inhame, linguiça e espinafres (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Confesso, fiz coincidir a minha ida com um dia em que a ementa me agradou mais e a ideia é mesmo essa; mesmo não sobrando muitas mais oportunidades para o fazer, vale a pena chamar a atenção para o próximo fim-de-semana, altura em que, por razões óbvias, concentraram alguns dos pontos mais altos desta semana.

[Nas sobremesas, um créme brûlée pouco convencional, pois leva anona e biscoito crocante (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)] 

Para facilitar a escolha, copio abaixo o menu:

Quinta-Feira 
Entradas – Abrótea e funcho em sopa ou Lula em ceviche, de alhada e assada com manteiga de ervas
Pratos - Espadarte Burger ou Boca-negra em caldo miso e aipo
Sobremesa – Tomate capuchinho

Sexta-Feira 
Buffet

Sábado
Entradas – Atum braseado com creme de ouriço ou Salada de cavaco, flores e maracujá
Pratos - Bicuda braseada com arroz de lapas ou Bagre numa massada 

Domingo 
Entradas – Escolar com côco lima e malagueta ou Safio/enguia assado/a e caviar de Czar
Pratos - Alfonsim com ostras, ervilhas e xeróvias ou Anchova com polvo estufado em vinho de cheiro

[As trufas servidas com o café, um apontamento sempre simpático para encerrar o repasto (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Já agora, antes de encerrar o post, não custa acrescentar que, numa parceria entre o Bairro Alto Hotel e a Sata, foi ainda criado um passatempo alusivo à semana gastronómica. Tudo o que precisa fazer, além de almoçar ou jantar por estes dias, é escrever uma frase inspirada que inclua as palavras "restaurante Flores", "Açores" e "peixe". A frase vencedora,  selecionada pelo Bairro Alto Hotel e Sata, será anunciada no dia 26 de Março e dá direito a uma viagem para duas pessoas a Ponta Delgada, em São Miguel.


Bairro Alto Hotel, Praça Luís de Camões, 2, tel. 213 408 252, almoços, todos os dias, entre as 12.30 e as 15.00; jantares, de dom. a qua., entre as 19.30 e as 22.30; de qui. a sáb., entre as 19.30 e as 23.30
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