22.6.12

domingo é dia de bitoque e batatas fritas no bairro alto hotel

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

Numa altura em que se multiplicam os brunchs de fim de semana um pouco por toda a cidade, o Flores, restaurante do Bairro Alto Hotel, ao Chiado, chegou à conclusão de que essa sua proposta não estava a resultar como seria o desejado.

Mas não há tempo para lamúrias.

Sai o brunch e entra o bitoque.

A partir de agora, e sempre aos almoços de domingo (prolongados até às três da tarde para dar tempo às pessoas de aproveitaram a manhã), o bife com ovo estrelado a cavalo, muito molho e batatas fritas passa a ser o prato forte do Flores.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

E há coisa mais portuguesa do que um bom bitoque?

Foi precisamente isso que pensaram no Bairro Alto Hotel, tanto que o chef Vasco Lello foi incumbido de, sem inventar muito (afinal um bitoque é... um bitoque), dar um toque especial à receita popular.

O bitoque à Bairro Alto Hotel apresenta-se em duas opções: carne de acém (com mais gordura), a 16 euros, e do lombo, a 20 euros.

O preço inclui ainda uma dose de batatas fritas e outra de salada a acompanhar. Obrigatórios, ovo estrelado a cavalo e, claro, muito molho. Na versão de Lello não foi usado café, mas sim, entre outros ingredientes, louro e um pouco de limão no final para introduzir uma ligeira nota mais ácida.

Provei e achei saboroso. Veremos se vai conseguir atrair uma nova clientela ao hotel num dia de grande movimento na Baixa-Chiado. E, já agora, se terá trunfos suficientes para competir com o bife da cervejaria Trindade ou até mesmo com La Brasserie de l'Entrecôte, a dois passos — mostrei estas fotos a alguns amigos e o comentário geral foi: mas não é um bocado minimal de mais?!...

Bairro Alto Hotel | Praça Luís de Camões, 2, 213 408 252

31.5.12

fora de portas: reviver a pompa e circunstância de seteais a pretexto dos bons vinhos de colares

[Fachada do Tivoli Palácio de Seteais (foto de divulgação)]

As horas, os dias, as semanas, os meses, e até os anos, passam a correr e, quando damos por eles e por nós, já passou um bom tempo desde que estivemos pela última vez num lugar de que gostamos.

[A piscina (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

É o caso do Palácio de Seteais, na encosta da serra de Sintra, onde funciona desde há muito um hotel do grupo Tivoli que soube manter a sua aura palaciana e valorizar um tipo de arquitetura civil e residencial neoclássica típica do século XVIII que, não há volta a dar, pede requinte, serviço sem mácula e toda uma série de ornamentos — das pinturas e frescos às tapeçarias, passando pelo mobiliário de época, luminárias ou porcelanas — que lhe façam inteiramente justiça.

[Um dos salões nobres (foto de divulgação)]

Entre fevereiro de 2008 e fevereiro de 2009, o hotel-palácio esteve fechado para um restauro profundo que envolveu, entre outras, a Fundação Ricardo Espírito Santo. Não foi coisa pequena e o resultado vê-se até hoje.

[A escadaria na entrada (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Pour le plaisir des yeux — um regalo para os olhos.

Mas, para lá da pompa e circunstância das suas áreas nobres, que sempre me levam a reservar alguns minutos para as passar em revista (nem que seja de fugida), o que me trouxe de volta ali, dias atrás, foi a paparoca.

[Chef Luís Baena (©joão miguel simões todos os direitos reservados)]

O chef Luís Baena, um discípulo assumido da cozinha tecnoemocional sempre que o faz num registo mais autoral (e tentou fazê-lo no seu restaurante lisboeta Manifesto que, ao que tudo indica, encerra as portas no mês de junho...), ocupa — desde 2007, se não me falha a memória — o cargo de chef executivo do grupo Tivoli Hotels & Resorts.

[O restaurante Seteais (foto de divulgação)]

Não é pêra doce e obriga a um bom jogo de cintura, já que tem de estabelecer, constantemente, um compromisso entre o que é a sua linha de cozinha e as necessidades práticas dos hotéis.

No caso de Seteais, onde funciona um restaurante com o mesmo nome de amplas vistas para os maravilhosos jardins, o chef em funções é António Santos, mas Baena, claro, tem uma palavra a dizer.

[O restaurante Seteais (foto de divulgação)]

Ainda que os hóspedes sejam a prioridade, o hotel sabe que atrair clientela de fora é fundamental nos dias que correm. Tanto mais porque Sintra continua a ser um destino incontornável para os passeios de fim-de-semana de muito boa gente.

Nesse sentido, e ajuizadamente parece-me, têm vindo a apostar em cartas mais nacionais, com uma degustação preparada no famoso trolley da Christofle nos jantares de sexta e sábado ou ainda um carro-buffet de 18 acepipes servido nos almoços de domingo. Igualmente tentadores são os lanches à portuguesa, outra tradição recuperada aos fins-de-semana, entre as 16.00 e as 18.30, que incluem pães, queijos e charcutaria regionais, além de bebidas mais adequadas ao verão (sumos naturais, capilé...) e inverno (chás da TWG e chocolate quente).

[A postos para a maridagem com os vinhos de Colares (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

No almoço em que estive, uma ocasião especial, Baena assumiu a cozinha e veio inúmeras vezes à sala para explicar o casamento que realizou entre os vários pratos e os vinhos selecionados da Adega Regional de Colares.

[A salada de mexilhões (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Assumo: do que comi — salada morna de mexilhão com legumes temperados com vinagrete de ananás, maracujá e goiaba, de entrada; robalo recheado com cogumelos e tomate, puré de batata, crosta de salsa e molho de camarão da costa; carrilheira de novilho confitada, arroz cremoso de beterraba fumada; e travesseiro de Sintra com gelado de chá preto dos Açores de sobremesa —, nada me entusiasmou por aí além, mas entendo que se tratava de um menu mais abrangente, com limitações de ordem prática e a obrigação, provável, de cumprir um orçamento.

[O Robalo (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Por outro lado, foi interessante ouvir o Aníbal Coutinho, enólogo, crítico de vinhos e consultor da carta de bebidas da rede Tivoli, a explicar porque se impõe uma maior atenção às novas colheitas (e não só) que estão a sair da mais antiga cooperativa do país — a Adega de Colares foi fundada em 1931 —, integrada numa região demarcada que leva a denominação de origem e a indicação geográfica de Vinho Regional Lisboa.

[O travesseiro com o gelado de chá preto, a acompanhar o licoroso Conde de Oeiras (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Curioso é que muitos não saibam, mesmo os portugueses, que na região de Lisboa se produzem bons vinhos desde há muito. A prová-lo, não só os de Colares — de que fazem parte os do Senhor d'Adraga, do Casal de Santa Maria e de quem já falei aqui —, mas também o Conde de Oeiras, para dar outro exemplo. Este vinho licoroso, muito associado ao Marquês de Pombal, foi-nos aliás servido com a sobremesa, numa manobra de charme que atesta bem a vontade em recuperar também o Vinho de Carcavelos.

À falta de outras oportunidades, ficam a saber que em Seteais alguns destes vinhos estão na carta e podem ser desfrutados por quem ali for. 

Tivoli Palácio de Seteais | Rua Barbosa do Bocage, 8, Sintra, tel. 219 233 200

30.5.12

as andorinhas anunciam a primavera e a reabertura do sky bar diz-nos que já não falta muito para o verão

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Ontem, via Instagram, postei a foto acima com a seguinte interrogação-certeza: como não amar Lisboa?

Numa cidade aos altos e baixos, que se gaba de possuir sete colinas como Roma — nunca as contei, num caso como noutro —, claro que não faltam miradouros e outros pontos mais ou menos altaneiros que nos permitem, qual pássaros, pairar sobre Lisboa.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
De entre as várias possibilidades, confesso que gosto particularmente da vista oferecida pelo Sky Bar, no cocuruto do hotel Tivoli Lisboa, que vira as costas à avenida da Liberdade e esparrama-se, mapeando o coração da cidade, até à outra margem do Tejo. 


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
Sobre o Sky Bar, propriamente dito, não há grande coisa a acrescentar para lá do que já (des)escrevi aqui, pelo que a boa nova é mesmo a sua reabertura para mais uma temporada estival, entre maio e outubro.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
Os dias não serão sempre de Sol; nem as noites serão sempre estreladas. Mas conforta-me saber que, doravante e durante os próximos meses, recuperámos um terraço que nós, lisboetas (sintam-se incluídos todos os que o são de alma e coração), aprendemos rapidamente a rimar com a ideia de verão.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
As fotos que aqui mostro foram tiradas num dia de festa. Não vai ser sempre assim com esta mise-en-scène, é bom dizê-lo, mas o cenário é este: ar livre, bambus, almofadões e narguilés de inspiração marroquina, sofás, candeeiros de pé alto, dois bares e o restaurante Terraço de apoio.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
A animação, com Dj's, será focada nas noites fortes de quinta, sexta e sábado (altura em que ficará aberto até à uma da matina), mas durante os dias de semana o espaço estará aberto logo a partir das 17.00 — ideal para uma, duas, três, quantas horas felizes forem precisas para nos fazer esquecer a jornada de labuta e/ou prolongar o descanso. 


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
Aos fins-de-semana, a informação que tenho é de que vai abrir a partir das 11.00, devendo manter-se a aposta de refeições ligeiras e/ou brunch. A confirmar.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
Hotel Tivoli Lisboa | Av. da Liberdade, 185, tel. 213 198 832

21.5.12

confirma-se: depois das amoreiras, a eric kayser vai abrir, até agosto, uma segunda loja no chiado


Há uns meses — não muitos, mas o tempo passa rápido —, quando comecei a falar aqui da Eric Kayser em versão lisboeta, disse logo que na calha estaria já uma segunda loja em Lisboa.

Não deu outra.

Até agosto, os sócios Laurent d'Orey e Julien Letartre esperam ter a casa arrumada para abrir as portas da sua nova localização na rua do Carmo (à Baixa Chiado, na esquina com o elevador de Santa Justa), num espaço que já foi da Livraria Portugal.

A segunda Eric Kayser lisboeta ocupará cerca de trezentos metros quadrados, repartidos pelos dois primeiros pisos de um edifício que deverá incluir ainda apartamentos para arrendar.

Até onde apurei, a Eric Kayser do Amoreiras Plaza está a correr muito bem, mas não conseguiu, até ver, fazer vingar como desejado a sua linha de refeições leves. Por isso mesmo, o Chiado, que tem outro tipo de movimento (de locais e turistas), deve revelar-se providencial nesse sentido.


Para lá da linha de pães e bolos que são sucesso garantido da marca (e cuja produção será partilhada com a unidade das Amoreiras), os dois sócios prometem inovar (fala-se num segundo andar destinado às refeições da hora do almoço). Entre as novidades já avançadas, destaca-se uma uma linha própria de sanduíches embaladas para levar e produtos como uma club sandwich de salmão e creme de queijo em pão de açafrão, um croq monsieur com queijo gratinado e molho bechamel, um gaspacho fresco ou ainda o "bolero", um doce de limão com cobertura de frutos vermelhos.

Mas não é tudo. A Santini, mesmo ali ao lado, terá a concorrência dos gelados da Artisani — ler aqui —, que será uma das parceiras da Eric Kayser Chiado.

Agora é só esperar para ver e (com)provar. 

22.3.12

maravilhas gastronómicas dos açores inspiram o flores, no bairro alto hotel, a criar semana do mar (até 25.03)

[A temerária Bicuda, também conhecida por barracuda ou Sphyraena viridensis, (©jp barreiros, todos os direitos reservados)]

Prestes a completar um ano de casa, o jovem chef Vasco Lello (falei dele aqui e aqui) tem feito um percurso discreto, sem muito alarido à sua volta, mas interessante; sobretudo se levarmos em conta que um restaurante de hotel obriga sempre a um compromisso (nem sempre fácil de gerir, diga-se) entre a cozinha mais autoral e uma série de pratos pièce de resistance (os mais "clássicos" que, por se tratar de um hotel, todos esperam encontrar ali).

[A decoração do Flores alusiva à Semana Gastronómica do Mar dos Açores (©sofia simões, todos os direitos reservados)]

Premiado, não faz muito tempo, com “2 Garfos” no concurso Lisboa à Prova, o restaurante Flores, comandado por Lello, tem feito um esforço assinalável para não ficar fechado na sua concha, nem limitado a quem se hospeda no hotel, e continua a apostar em iniciativas e eventos gastronómicos para atrair os lisboetas (e não só) até si.

[Pequeno e intimista, o Flores deixa entrar um pouco do Chiado a caminho do Bairro Alto pelas suas janelas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


É o caso da Semana Gastronómica do Mar dos Açores, a decorrer até ao próximo domingo (dia 25), que corrobora a preocupação de Lello em incluir, cada vez mais (e isso nota-se igualmente a cada nova carta sazonal), produtos portugueses como tortulhos, zimbro, castanhas e, claro, o bom peixe da nossa costa.

[Queijo fresco com pimentão e manteiga temperada com flor de sal, o couvert (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


O peixe português, para quem ainda não reparou, está em alta; em especial o que nos chega do arquipélago açoriano. Mais do que as teses, os argumentos e o interesse de saber se é ou não o melhor do mundo — este tipo de afirmações envolvem sempre alguma subjetividade, mas, neste caso, pode ter o mérito de gerar maior discussão em torno do tema e com isso agregar novas adesões à "causa" —, importa saber que, de dia para dia, ganha adeptos na alta gastronomia nacional e internacional, sendo já vários os chefs que não o dispensam nos seus cardápios.

[Na entrada, creme de caranguejo e pimenta da terra com croutons de massa sovada (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)] 

Voltando à proposta temática do Flores, Lello não se limitou, como seria de esperar, ao peixe açoriano. Este foi, digamos, a base, o ponto de partida para criar, diariamente e ao longo de uma semana, uma série de entradas e pratos (além das sobremesas, que não levam peixe nem mariscos) que deitam mão a outros ingredientes típicos dos Açores como o inhame, o maracujá ou a batata doce. E não só.

[Outra opção de entrada, queijo da serra da Estrela
marinado em carpacio e queijo da ilha (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

A ementa de inspiração açoriana muda todos os dias, até domingo, e está a ser servida numa fórmula de menu executivo (€21 por pessoa) com direito a escolher uma entrada, um prato e uma sobremesa. A exceção é a sexta-feira, dia 23, em que o Flores mantém o seu habitual buffet (mas que neste caso alinhará pelo tema, mantendo o valor de €27,50 por pessoa).

[Nos pratos, peixe-espada assado com batata-doce, ananás e maracujá (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Peixes como a moreia, o encharéu, a bicuda, o rocaz, a abrótea, o peixe-porco, o atum, a cavala, o peixe-espada ou o espadarte (só para citar alguns) são as estrelas do menu, que ainda assim manteve, em paralelo e numa versão mais reduzida, outras propostas da estação. Estive ali ontem, ao almoço, e Lello, com quem troquei algumas impressões no final da refeição, pareceu-me, não obstante a sala a meio-gás,  satisfeito com a adesão das pessoas ao menu-temático.

[Ainda outro prato, bicuda com inhame, linguiça e espinafres (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Confesso, fiz coincidir a minha ida com um dia em que a ementa me agradou mais e a ideia é mesmo essa; mesmo não sobrando muitas mais oportunidades para o fazer, vale a pena chamar a atenção para o próximo fim-de-semana, altura em que, por razões óbvias, concentraram alguns dos pontos mais altos desta semana.

[Nas sobremesas, um créme brûlée pouco convencional, pois leva anona e biscoito crocante (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)] 

Para facilitar a escolha, copio abaixo o menu:

Quinta-Feira 
Entradas – Abrótea e funcho em sopa ou Lula em ceviche, de alhada e assada com manteiga de ervas
Pratos - Espadarte Burger ou Boca-negra em caldo miso e aipo
Sobremesa – Tomate capuchinho

Sexta-Feira 
Buffet

Sábado
Entradas – Atum braseado com creme de ouriço ou Salada de cavaco, flores e maracujá
Pratos - Bicuda braseada com arroz de lapas ou Bagre numa massada 

Domingo 
Entradas – Escolar com côco lima e malagueta ou Safio/enguia assado/a e caviar de Czar
Pratos - Alfonsim com ostras, ervilhas e xeróvias ou Anchova com polvo estufado em vinho de cheiro

[As trufas servidas com o café, um apontamento sempre simpático para encerrar o repasto (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Já agora, antes de encerrar o post, não custa acrescentar que, numa parceria entre o Bairro Alto Hotel e a Sata, foi ainda criado um passatempo alusivo à semana gastronómica. Tudo o que precisa fazer, além de almoçar ou jantar por estes dias, é escrever uma frase inspirada que inclua as palavras "restaurante Flores", "Açores" e "peixe". A frase vencedora,  selecionada pelo Bairro Alto Hotel e Sata, será anunciada no dia 26 de Março e dá direito a uma viagem para duas pessoas a Ponta Delgada, em São Miguel.


Bairro Alto Hotel, Praça Luís de Camões, 2, tel. 213 408 252, almoços, todos os dias, entre as 12.30 e as 15.00; jantares, de dom. a qua., entre as 19.30 e as 22.30; de qui. a sáb., entre as 19.30 e as 23.30

21.3.12

há uma nova capicua na cidade: o brunch do eleven em 11 passos, todos os sábados

[Mesa a preceito para o novo brunch de sábado do Eleven (foto de divulgação)]

Não é que seja insensível à poesia do nascer do dia. Tão pouco faço vista grossa à beleza diáfana da luz matinal, mas, e a verdade é essa, "I'm not a morning person", se é que me faço entender.

[O Jardim Amália Rodrigues, em pleno centro de Lisboa, está cheio de recantos que nos fazem crer a milhas da confusão urbana (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Por isso mesmo, ainda não se usava por cá, e já eu tinha aderido, de corpo e alma, ao conceito de brunch. Se não gostam do termo, chamem-lhe "pequeno-almoço almoçarado", "almoço com cara de pequeno-almoço" "almoço-pequeno"; o que preferirem, como preferirem, não importa. 

[O Jardim Amália Rodrigues é perfeito para descontrair antes ou depois do brunch no Eleven (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O que vale mesmo é a intenção, e essa é, parece-me, genuinamente boa. Agrada-me sobremaneira a possibilidade de poder acordar tarde ao fim-de-semana e, mesmo assim, ir a tempo de me reunir à mesa com amigos, familiares, quem seja. Porque àquela hora, por regra, já é tarde para tomar o pequeno-almoço, mas, por se tratar da primeira refeição do dia, ainda não nos apetece que tenha exatamente o jeito de um almoço. Para mim, é esse o espírito do brunch: algo entre uma coisa e outra, sem pressas de sair da mesa, sem olhar para o relógio, à margem de convenções e rotinas.

[A vista, até ao Tejo, a partir do alto do Parque Eduardo VII (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Há coisa de duas semanas, num sábado já primaveril e pleno de possibilidades, o Eleven, que tem entre os seus 11 sócios o chef Joachim Koerper e o grupo Lágrimas Hotels & Emotions (já falei de todos eles neste blog, por mais de uma vez e por diferentes motivos, por isso vou-me abster de maiores apresentações), aderiu à moda e lançou a sua própria versão de brunch.

[As janelas de alto a baixo, a todo o comprimento do Eleven, desvendam meia Lisboa (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Tratando-se do Eleven, claro que a fasquia é mais alta. Servido apenas aos sábados, entre as 12 e as 15 horas, tem um custo de €35 por pessoa. É um horário reduzido (para os padrões habituais do que se entende por brunch) e um preço um tanto "puxado" (quando comparado a outras opções já existente em Lisboa), mas temos de saber avaliar as coisas pelo que elas são (e valem). O Eleven é um restaurante de luxo, numa zona privilegiada da cidade (no alto do Parque Eduardo VII, já dentro do Jardim Amália Rodrigues, com uma vista primorosa), e o serviço de brunch idealizado por Koerper e pela sua equipa faz jus a isso mesmo.

[O ambiente da sala (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Do brunch, propriamente dito, darei todos os pormenores daqui a nada. Antes, cabe aqui um preâmbulo para falar de uma outra coisa, ou melhor, de um outro prazer, que associo a esse ritual: o poder, enquanto lisboeta, desfrutar da minha cidade e ser também eu um pouco turista. É algo que faço com frequência e recomendo vivamente. Ainda mais neste caso, porque o brunch do Eleven dá-nos o pretexto perfeito para, antes ou depois, ficar no Jardim Amália Rodrigues a usufruir da vista, dos espaços verdes, do lago e da calma. As crianças adoram e os adultos voltam a ser, também eles, um pouco crianças.

[A ementa, em 11 pedaços, do brunch do Eleven (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

De caras, uma vantagem do Eleven é que, graças às suas janelas de alto a baixo, a todo o comprimento da sala, não vai precisar abdicar da vista, nem do Sol nem da vida lá fora, enquanto estiver a "brunchar".

[Açúcar ou adoçante? (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Chegados a este ponto, é tempo de nos instalarmos à mesa e deixarmos os trabalhos fluírem. Isto porque, ao contrário da maioria dos brunchs que funciona em regime de buffet, o do Eleven é servido a preceito, em 11 momentos ou pedaços (como entenderam chamar-lhes). Será que fica mais formal por isso? Fica, mas lá está, é esta a proposta do Eleven e, convenhamos, é muito bom também ficarmos à mesa com todas as coisas a virem até nós. 

[A pastelaria do Eleven, com diferentes tipos de croissants, donuts, telhas... (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

À entrada, para abrir os trabalhos, uma cesta com vários tipos de pães, manteiga, compota de abóbora, café, chá, leite, sumo de laranja e também uma travessa nanabesca de croissants, donuts, telhas (uma das marcas registadas da casa, muito finas e crocantes), caracóis, madalenas, entre outras coisas boas e doces. Todas elas, bem como os pães, produzidas na casa pelos chefs-pasteleiros Gonçalo União e Elisa Estrelinha

[Os bolos são todos confecionados no Eleven (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Um verdadeiro festim.  

[Os pães e a compota de abóbora (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Onde os olhos, detalhe importante, também comem.

[As flores dão o toque primaveril indispensável (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Segunda etapa. Entram os frios, em prato individual, com boa variedade de fiambres, queijos e salmão fumado.

[O prato de frios (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

As frutas, servidas em seguida, são fundamentais para limpar o palato, refrescando as papilas gustativas, e encorajar-nos a continuar.

[As frutas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Uma mini cocotte chega à mesa. A peça em ferro, criada pela Staub, faz as delícias de quem aprecia estes detalhes, mas logo é o seu recheio que ganha todas as atenções: salsichas biológicas com especiarias e ovos mexidos. 

[Na cocotte, salsichas biológicas e ovos mexidos (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Este tipo de comida já pede outro acompanhamento, por isso é-nos servido um vinho espumante, mais precisamente um cava da vizinha Espanha. 

[Espumante ao brunch? Sim, pode (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O que se vem a revelar igualmente certeiro para a maridagem com o último prato: cachaço de porco preto com legumes grelhados e batata palha.

[Cachaço de porco preto (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Muita comida? Que nada, afinal é sábado e toda a preguiça não será castigada. E querem maior regalo do que ficar depois, logo ali, a ver a vida e Lisboa a passar? 

Av. Marquês da Fronteira (dentro do Jardim Amália Rodrigues), tel. 213 862 211, o brunch é servido, todos os sábados, entre as 12.00 e as 15.00
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