12.5.10

tease rock n'roll bakery

[interior da Tease Bakery, D.R.]


«Provem-me que os vossos cupcakes são os melhores de Lisboa. Quero sair daqui convencido.» A avaliar pela caixa que levou para casa, depois de ter saboreado uma versão de cenoura com noz na loja, este novo freguês saiu rendido à Tease, ao Bairro Alto.
Na rua do Norte, perto da Diesel e quase frente à Sneakers Delight, a Tease só abriu portas em finais de Abril, mas as suas "provocações", sob a forma de tentadores cupcakes e também de bolos vintage, muffins, scones ou até sanduíches, andam, literalmente, nas bocas do mundo. Estou a exagerar, como é óbvio, mas o certo é que está a despertar a curiosidade geral e a aguçar o apetite, não sendo já poucos os que ali vão de propósito para espreitar.
A moda dos cupcakes, que são mais do que simples queques com coberturas fantasiosas ao contrário do que querem fazer crer as más-línguas, é relativamente recente em Portugal. Há quem diga que a ideia para o negócio nasceu a partir da série "O Sexo e A Cidade", mas não faltam outras referências igualmente sugestivas, como foi o caso do filme "Maria Antonieta", de Sofia Coppola, que recorreu à parisiense Ladurée para o efeito. Em Lisboa, a Tease não é a única, mas é uma das mais promissoras, até porque tem uma dinâmica engraçada e faz gala em lançar regularmente novos temas - por exemplo, no próximo sábado, dia 15, vão dar a conhecer os cupcakes Red Velvet em homenagem ao grupo Velvet Underground, e nem a vinda do Papa lhes escapou, a quem dedicaram o Cheers Pope, numa versão de lima e queijo mascarpone.
Mais do que apenas balcão para exibir e vender as suas criações, a Tease é um salão de chá, onde se bebe igualmente bons sumos naturais, cocktails to impress, vinho ou até um simples café. Para o efeito, existem sofás e poltronas, sempre de veludo colorido, mesinhas baixas, açucareiros em louça, ficando o rock n'roll por conta da bola dourada giratória no tecto ou da selecção musical - no dia em que ali estive, só deu Beatles na vitrola.
À partida, diria que o conceito é susceptível de atrair uma clientela maioritariamente feminina, mas, felizmente, é uma tendência que a qualquer momento pode, e deve, ser equilibrada. Não é um lugar barato - os cupcakes em versão mini custam €1, os "regulares" saem por €2,40 a unidade (e difícil é conseguir comer só um!) -, mas o seu target está claramente direccionado para um nicho de mercado. Não é, nem pretende ser, mais uma pastelaria com doces e salgados por atacado.
Uma opção interessante para o lanche, que deixei para outra ocasião, é a do High Tea(se), pensado para duas pessoas em duas modalidades (€12,50, com chá verde de canela, e €14,50, com chá de flores do deserto), que incluem cupcakes, bolos e sanduíches. Uma nota final para dizer que entre os sócios da Tease está Dave Palethorpe, que muitos conhecem do bar Cinco Lounge no Príncipe Real, e Antony Millard, do cabeleireiro Facto BA.

Rua do Norte, 31-33, de seg. a sáb., das 12.00 às 23.00

leya na buchholz

[em cima: Livraria Buchholz, antes e agora; abaixo: fachada na Duque de Palmela]


Aproveitei um final de tarde de calmaria para dar um pulo à LeYa na Buchholz, inaugurada a 8 de Abril. É um regresso a casa, já que após um período de incerteza - em que sobrou apenas um pólo no Chiado, no largo Rafael Bordalo Pinheiro, entretanto encerrado, com a transferência dos serviços para a Sá da Costa, na rua Garrett, nº100/102 -, a livraria reabre no endereço da Duque de Palmela, ao Marquês de Pombal, quase na esquina com a Alexandre Herculano.
Para quem gosta de livros, mas também de livrarias com peso e história, é motivo de regozijo. Por um triz, a velha Buchholz, fundada pelo alemão Karl Buchholz em 1943, escapou a um fim anunciado graças à parceria entre a LeYa, de que faz parte a Oficina do Livro por exemplo, e a Coimbra Editora Livrarias.
Na adaptação aos novos tempos, perdeu-se parte da solenidade - a antiga Buchholz tinha outra imponência -, mas ganhou maior funcionalidade, com as várias secções bem sinalizadas, um acervo virado para as necessidades (e vontades) do mercado actual e está, porventura, mais confortável, pois existem diversos sofás em pele para que nos possamos sentar e demorar.
Ao todo são três pisos - na prática, só dois estão em permanência abertos ao público -, onde houve o cuidado de manter as estantes de madeira e várias peças, como os bancos e escadotes que servem para alcançar os livros no topo, como recordação. Há um piano de cauda e toda uma estrutura montada para receber, com regularidade, lançamentos de livros, conversas entre escritores e outras actividades que façam sentido na sua agenda cultural.
Não sendo a Duque de Palmela uma rua de grande passagem, apesar de paralela à Avenida da Liberdade, a nova Buchholz vai ter de criar uma dinâmica própria se quiser sobreviver à concorrência de grandes superfícies como a Fnac. Porque nem eu nem outros lisboetas vamos continuar a ir ali só porque faz parte da nossa memória afectiva. É preciso mais. Para já, arrisco a sugerir que lhe falta, quiçá, um pequeno café charmoso, adequado ao espaço e à função, capaz de funcionar como um atractivo extra. Os puristas podem até torcer o nariz, evocando que uma livraria não deve precisar desse tipo de "artifícios" para atrair interessados, mas em muitos países, como o Brasil, é prática corrente e não vem daí mal ao mundo. Muito pelo contrário, são, na maioria das vezes, uma mais-valia.

Rua Duque de Palmela, 4, de seg. a sáb. das 10.00 às 20.00

10.5.10

café malaca

[fotografia acima, de Andreia Tavares; fotografia abaixo, de Ana Paula Carvalho, in "Máxima Interiores", D.R.]


Há umas semanas, uma amiga quis surpreender-me, ao não revelar o nome nem a localização do restaurante escolhido para o jantar dessa noite, e acabou também ela à procura do espaço em questão, sem grandes certezas. Especializado em cozinha inspirada nas viagens dos navegadores portugueses ao Oriente, o Café Malaca funciona no que já foi o bar do Clube Naval de Lisboa, ao Cais do Gás, um pouco antes dos Meninos do Rio para quem vem do Cais do Sodré. A indicação, apesar de certa, não é óbvia para quem chega desavisado, pois é preciso entrar no armazém H, que faz as vezes de sede do clube, e descobrir junto à entrada, à esquerda, umas escadas que dão acesso ao restaurante, no 1º andar.
Virada para o rio, embora a vista seja apenas parcial, a sala é suficientemente ampla para abrigar o restaurante e o bazar, onde os objectos à venda alinham pela mesma temática da cozinha, mas acaba por não sobrar muito espaço livre tal é a profusão de objectos desirmanados e de procedências diversas.
Como chegámos cedo, e o restaurante estava ainda vazio, só depois, já com as velas acesas e a entrada de crepes Primavera à frente, percebemos a nececessidade de reservar mesa com antecedência, pois o café encheu por completo naquela noite de sábado.
Não há uma ementa, ou melhor, há, mas é descrita pelos empregados na altura do pedido, e pode ser consultada numa ardósia. Optei pelo Caril Verde, comi uma sobremesa e partilhei com a minha amiga um jarro de vinho da casa (havia duas opções). No final, coube cerca de €20 a cada um.
Mais tarde, vim a saber que o Café Malaca é o projecto conjunto do português Miguel Pinho, que se ocupa da cozinha, e da malaia Yoon Chin, que recuperou parte do mobiliário. Além de servir almoços e jantares, o Malaca providencia serviço de take away e piqueniques no cais. Achei o espaço simpático, informal como pretendem os donos. A comida, sem ser extraordinária ou verdadeiramente original, é agradável ao palato e terá a vantagem de permitir uma incursão segura para quem ainda não se aventura muito em matéria de "cozinha exótica".

Cais do Gás, Armazém H, 1º andar, Cais do Sodré, tel. 213 477 082, encerra seg. ao almoço

chaminés do palácio

[Pátio do Palácio da Independência, por onde se entra para o restaurante, D.R.]


A pretexto de um jantar de aniversário, desemboquei, um pouco às cegas, no largo de São Domingos, ao Rossio. Tendo como referência a incontornável Ginjinha, a própria igreja de São Domingos e o D. Maria II, procurei, em vão (até nas Portas de Santo Antão), algo que se parecesse vagamente com um restaurante chamado Chaminés do Palácio. Acabei por achá-lo no pátio interior do edíficio rosa que me habituei a dar por certo ali sem nunca me ter verdadeiramente interrogado sobre a sua proveniência. Não serei o único, estou certo.
Esta localização improvável acaba por ser o primeiro trunfo deste novo projecto de restauração, pois dá o mote que faltava para entrarmos no Palácio da Independência e ficarmos a saber que existe, em pleno coração alfacinha, um par de chaminés cónicas, semelhantes às do Palácio da Vila em Sintra, que de outra forma passam totalmente despercebidas.
O espaço inclui um sala de azulejos e um claustro, que faz as vezes de esplanada, e serve, de segunda a sexta, almoços com pratos, a partir dos €7,50, de cozinha contemporânea com um toque português - daí os hambúrgueres de atum e de alheira de bacalhau ou caça, por exemplo. À noite, o Chaminés do Palácio abre apenas para jantares de grupo, com um mínimo de 14 participantes. Para já, a minha experiência limita-se a esta última fórmula e recomendo. Gostei do ambiente (porque a noite estava amena, pudemos jantar no claustro), da ementa (entrada, prato principal, sobremesa, café e vinho, o que não deu mais do que €20 por pessoa num grupo de 25) e do facto de terem fechado para nós, sem mistura de festas. Gostei menos de termos sido "apressados" a sair por volta da meia-noite, ainda que compreenda.

Largo de São Domingos, 11, tel. 213 241 470, de seg. a sex., das 12.30 às 15.00

9.5.10

papabubble

[Fachada da Papabubble de Lisboa, D.R.]


A fachada azul-celeste não passa despercebida naquele trecho da maltratada rua da Conceição, à Baixa, já a espreitar a rua do Ouro. É o tipo de loja que se espera, ou eu é que esperava, encontrar no Chiado, mas pode ser que o endereço lisboeta desta cadeia de guloseimas personalizadas - criada em 2003 por uma dupla de australianos, que teve o seu ponto de partida na capital catalã -, de portas abertas desde Novembro de 2009, tenha o mérito de atrair uma nova clientela àquelas bandas tristes. Oxalá, que a Baixa bem precisa.
Não sei até ponto há em Portugal, ou em Lisboa para ser preciso, um público suficientemente numeroso disposto a desembolsar regularmente €4,50 por 140gr de rebuçados, devidamente acondicionados em frascos ou embalagens da Sacoliva, ou €4,20 por um chupa-chupa, mas essas são contas que, por certo, os investidores portugueses, responsáveis pelo franchising, fizeram. A mim, que fiquei freguês de sabores como canela picante e aprecio a ideia, resta-me torcer para que o negócio se firme por cá.
Da primeira vez que ali fui, entrei, admirei as instalações, examinei o que estava à vista, escolhi e paguei - não sem antes reparar que no caixa havia um gira-disco a dar música ambiente. Mas parte do conceito assenta em que se assista à arte e engenho dos mestres doceiros ali presentes e que se aproveite a variedade de opções - só sabores são cerca de 30, do anis à violeta ou kiwi, com várias combinações possíveis, com ou sem açúcar, com ou sem recheio, mais ou menos ácidas - para personalizar, com nomes e até desenhos ou logos, os seus rebuçados e chupa-chupas artesanais, que podem ter formas, cores e tamanhos muito diversos. O meu conselho, até para não cair ali de pára-quedas, é que antes de ir espreite o sítio ou o blogue da Papabubble; esta não é uma loja de rebuçados como as demais e faz mais sentido quando sabe ao que se vai.

Rua da Conceição, 117-119, de seg. à sáb, das 10.30 às 19.30
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