10.5.10

café malaca

[fotografia acima, de Andreia Tavares; fotografia abaixo, de Ana Paula Carvalho, in "Máxima Interiores", D.R.]


Há umas semanas, uma amiga quis surpreender-me, ao não revelar o nome nem a localização do restaurante escolhido para o jantar dessa noite, e acabou também ela à procura do espaço em questão, sem grandes certezas. Especializado em cozinha inspirada nas viagens dos navegadores portugueses ao Oriente, o Café Malaca funciona no que já foi o bar do Clube Naval de Lisboa, ao Cais do Gás, um pouco antes dos Meninos do Rio para quem vem do Cais do Sodré. A indicação, apesar de certa, não é óbvia para quem chega desavisado, pois é preciso entrar no armazém H, que faz as vezes de sede do clube, e descobrir junto à entrada, à esquerda, umas escadas que dão acesso ao restaurante, no 1º andar.
Virada para o rio, embora a vista seja apenas parcial, a sala é suficientemente ampla para abrigar o restaurante e o bazar, onde os objectos à venda alinham pela mesma temática da cozinha, mas acaba por não sobrar muito espaço livre tal é a profusão de objectos desirmanados e de procedências diversas.
Como chegámos cedo, e o restaurante estava ainda vazio, só depois, já com as velas acesas e a entrada de crepes Primavera à frente, percebemos a nececessidade de reservar mesa com antecedência, pois o café encheu por completo naquela noite de sábado.
Não há uma ementa, ou melhor, há, mas é descrita pelos empregados na altura do pedido, e pode ser consultada numa ardósia. Optei pelo Caril Verde, comi uma sobremesa e partilhei com a minha amiga um jarro de vinho da casa (havia duas opções). No final, coube cerca de €20 a cada um.
Mais tarde, vim a saber que o Café Malaca é o projecto conjunto do português Miguel Pinho, que se ocupa da cozinha, e da malaia Yoon Chin, que recuperou parte do mobiliário. Além de servir almoços e jantares, o Malaca providencia serviço de take away e piqueniques no cais. Achei o espaço simpático, informal como pretendem os donos. A comida, sem ser extraordinária ou verdadeiramente original, é agradável ao palato e terá a vantagem de permitir uma incursão segura para quem ainda não se aventura muito em matéria de "cozinha exótica".

Cais do Gás, Armazém H, 1º andar, Cais do Sodré, tel. 213 477 082, encerra seg. ao almoço

chaminés do palácio

[Pátio do Palácio da Independência, por onde se entra para o restaurante, D.R.]


A pretexto de um jantar de aniversário, desemboquei, um pouco às cegas, no largo de São Domingos, ao Rossio. Tendo como referência a incontornável Ginjinha, a própria igreja de São Domingos e o D. Maria II, procurei, em vão (até nas Portas de Santo Antão), algo que se parecesse vagamente com um restaurante chamado Chaminés do Palácio. Acabei por achá-lo no pátio interior do edíficio rosa que me habituei a dar por certo ali sem nunca me ter verdadeiramente interrogado sobre a sua proveniência. Não serei o único, estou certo.
Esta localização improvável acaba por ser o primeiro trunfo deste novo projecto de restauração, pois dá o mote que faltava para entrarmos no Palácio da Independência e ficarmos a saber que existe, em pleno coração alfacinha, um par de chaminés cónicas, semelhantes às do Palácio da Vila em Sintra, que de outra forma passam totalmente despercebidas.
O espaço inclui um sala de azulejos e um claustro, que faz as vezes de esplanada, e serve, de segunda a sexta, almoços com pratos, a partir dos €7,50, de cozinha contemporânea com um toque português - daí os hambúrgueres de atum e de alheira de bacalhau ou caça, por exemplo. À noite, o Chaminés do Palácio abre apenas para jantares de grupo, com um mínimo de 14 participantes. Para já, a minha experiência limita-se a esta última fórmula e recomendo. Gostei do ambiente (porque a noite estava amena, pudemos jantar no claustro), da ementa (entrada, prato principal, sobremesa, café e vinho, o que não deu mais do que €20 por pessoa num grupo de 25) e do facto de terem fechado para nós, sem mistura de festas. Gostei menos de termos sido "apressados" a sair por volta da meia-noite, ainda que compreenda.

Largo de São Domingos, 11, tel. 213 241 470, de seg. a sex., das 12.30 às 15.00

9.5.10

papabubble

[Fachada da Papabubble de Lisboa, D.R.]


A fachada azul-celeste não passa despercebida naquele trecho da maltratada rua da Conceição, à Baixa, já a espreitar a rua do Ouro. É o tipo de loja que se espera, ou eu é que esperava, encontrar no Chiado, mas pode ser que o endereço lisboeta desta cadeia de guloseimas personalizadas - criada em 2003 por uma dupla de australianos, que teve o seu ponto de partida na capital catalã -, de portas abertas desde Novembro de 2009, tenha o mérito de atrair uma nova clientela àquelas bandas tristes. Oxalá, que a Baixa bem precisa.
Não sei até ponto há em Portugal, ou em Lisboa para ser preciso, um público suficientemente numeroso disposto a desembolsar regularmente €4,50 por 140gr de rebuçados, devidamente acondicionados em frascos ou embalagens da Sacoliva, ou €4,20 por um chupa-chupa, mas essas são contas que, por certo, os investidores portugueses, responsáveis pelo franchising, fizeram. A mim, que fiquei freguês de sabores como canela picante e aprecio a ideia, resta-me torcer para que o negócio se firme por cá.
Da primeira vez que ali fui, entrei, admirei as instalações, examinei o que estava à vista, escolhi e paguei - não sem antes reparar que no caixa havia um gira-disco a dar música ambiente. Mas parte do conceito assenta em que se assista à arte e engenho dos mestres doceiros ali presentes e que se aproveite a variedade de opções - só sabores são cerca de 30, do anis à violeta ou kiwi, com várias combinações possíveis, com ou sem açúcar, com ou sem recheio, mais ou menos ácidas - para personalizar, com nomes e até desenhos ou logos, os seus rebuçados e chupa-chupas artesanais, que podem ter formas, cores e tamanhos muito diversos. O meu conselho, até para não cair ali de pára-quedas, é que antes de ir espreite o sítio ou o blogue da Papabubble; esta não é uma loja de rebuçados como as demais e faz mais sentido quando sabe ao que se vai.

Rua da Conceição, 117-119, de seg. à sáb, das 10.30 às 19.30
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