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25.5.11

fora de portas: fortaleza do guincho, parte 1 | o hotel


[As melhores vistas são a partir das três suites junior da Fortaleza do Guincho (©paulo barata); abaixo: escadaria de acesso ao primeiro piso (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Há ainda quem se intimide com os seus ares de fortaleza e não se atreva a espreitar...

... esta é uma ideia, entre outras, que a equipa deste hotel-restaurante tenta contrariar, demonstrando a todo o momento, que sim, não é um lugar para todos os dias, mas pode ser um lugar para todos. 

Praticamente sobre o mar, com a praia do Guincho de um lado e de outro, os quartos não chegam a 30 e não há piscina, mas há conforto, serviço personalizado e um à-vontade nem sempre possível em outras unidades cinco estrelas. 

Para muitos, o seu restaurante franco-português — que tem sabido manter com brio a estrela Michelin conquistada há vários anos — é o grande chamariz, mas a Fortaleza do Guincho tem vindo a criar alternativas, sempre boas mas mais em conta, para outras ocasiões.

O pequeno texto acima, escrevi-o eu, há dias e com ligeiras alterações, para a revista Evasões (a Fortaleza do Guincho é um dos 50 hotéis escolhidos em Portugal para ilustrar a edição de Junho). 

[Um dos 27 quartos, divididos em três categorias (©paulo barata)]

Mas muito mais há dizer. Por isso, e porque os feriados de Junho estão à porta como pretexto para uma escapada — e não é preciso, insisto na ideia, ir muito longe para mudar de ares e rotina —, resolvi sair, uma vez mais, da Lisboa Cidade para fazer uma sugestão na Lisboa para Lá da Cidade. 

[Entrada para as três suites junior, no piso superior (©paulo barata)]

Afinal, a Fortaleza do Guincho está apenas a sete quilómetros de Cascais (e a 30 de Lisboa, mais coisa, menos coisa), mas, já junto ao Farol do Cabo da Roca, é como se estivesse a milhas de distância.

[Pátio central, com clarabóia retrátil (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

E era mesmo isso que me apetecia. Depois de dias a fio a condensar num só artigo 200 sugestões globais para assinalar o nº200 da revista Volta ao Mundo (edição de Junho, já agora), queria dormir, apanhar sol, ir a banhos e comer muito bem, sem ter de me ralar com pormenores ou logística. 

Consegui tudo isso. De um dia para o outro.

[O pequeno-almoço, servido em buffet (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Cheguei a meio da tarde. O pátio da antiga fortaleza — data do século XVII, mas da construção original resta muito pouco, tantas foram as reviravoltas da História — faz as vezes de recepção, de lobby e de sala de estar. Coberto por uma clarabóia retrátil, consegue ser imponente, sem chegar a ser intimidante. Pelo contrário, é aconchegante.

[A vista matinal a partir da Fortaleza (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Os quartos, não mais que 27, distribuem-se à volta do mesmo — os standard, em baixo, têm vista lateral para o mar; os superiores, em cima, possuem uma varanda fechada com chaise longue; fora as três suítes junior, mais luxuosas e com a melhor vista).  Sem mais demoras, larguei a minha pouca bagagem no quarto, troquei de roupa e fui para a praia.

[A Fortaleza não se fecha ao que a rodeia (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Simples assim. Como hotel, a Fortaleza do Guincho existe desde 1959, mas foi em 1998 que ganhou o actual estatuto que lhe permitiu, inclusive, integrar a cadeia Relais & Châteaux. 

Agrada-me que, enquanto pequena unidade de luxo, permita ao hóspede um à-vontade que exige saber-estar, mas que dispensa maiores formalidades. A prová-lo, as várias portas abertas laterais, que nos permitem entrar e sair sem dar explicações; gostei menos do ar démodé da decoração. É um hotel clássico, com uma tónica romântica, mas os anos não perdoam e o que funcionou na década de 1990, já não agrada agora. São gostos, claro, mas não serei o único a notá-lo.

Um detalhe. Que se torna mais e mais pequeno ante outras lembranças. 

Como ter apenas de caminhar uns metros, descer umas escadas e já estar na praia. 

Como ter uma mesa marcada no restaurante, estrategicamente junto a uma janela virada para o mar, e poder ficar a degustar, sem olhar para o relógio, o novo menu da estação executado sob a supervisão de Vincent Farges (mas isso é assunto para outro post). 

Como acordar no dia seguinte, e, ainda antes de descer para o pequeno-almoço, antecipar, para lá da neblina matinal habitual, mais um dia glorioso. E ver as ondas, quais armadas de espuma enviadas por Neptuno, desembarcarem na praia.

Poderia continuar, mas acho que já transmiti a ideia de que se trata, antes de tudo o mais, de uma experiência. Uma experiência ao alcance de mais gente do que se supõe à partida — porque está perto; porque não é barato, mas também não é proibitivo; e porque não existe apenas uma maneira de desfrutar do Guincho, mas sim várias e disso falarei nos posts seguintes.


Estrada do Guincho, Cascais, tel. 214 870 491, pacote Gourmet desde €400 para 2 pax (ver aqui) e pacote Romântico desde €265 para 2 pax (ver aqui)

17.5.11

fora de portas: sabores de verão no grande real villa itália (cascais)

[O Grande Real Villa Itália, hoje um hotel cinco estrelas em Cascais, já foi residência dos reis de Itália (foto D.R.)]
Quase no final de uma semana que já lá vai, uma proposta fácil de aceitar sem pensar muito: conhecer a ementa de Verão do La Terraza e do Belvedere, no Grande Real Villa Itália Hotel & Spa, em Cascais. E foi assim que, numa manhã a mais de meio, deixei para trás o Cais do Sodré, enfeitado de jacarandás em flor e a cheirar a morangos maduros, já só com olhos para a marginal. 

É em dias como este, com um gosto a matiné furtiva, que prazeres simples nos sabem melhor. Não que faltem sugestões ribeirinhas igualmente tentadoras no perímetro de Lisboa, mas ter uma costa assim, à mão de semear, é um luxo e um privilégio que, não tão raras vezes como isso, damos por barato. 

O Villa Itália, quase à saída de Cascais para quem segue em direcção ao Guincho, é um cinco estrelas relativamente recente que já serviu, em tempos idos, de residência aos reis de Itália, que, à semelhança de outras famílias reais europeias sem trono, viveram um doce exílio na "riviera" portuguesa. Talvez por isso, o estilo do hotel, ainda que com apontamentos contemporâneos, é mais clássico, mas informal q.b., o que só lhe fica bem quando um dos seus principais trunfos é, precisamente, a fabulosa vista para o mar.

[Terraço do restaurante Belvedere, a funcionar durante o Verão, a partir de Julho (foto D.R.)]

Do hotel e do spa, muito mais haveria a dizer, mas não foi isso que me trouxe aqui desta feita. Com a chegada do bom tempo, o Villa Itália abrirá, a partir de Julho, as portas do seu Belvedere, restaurante com terraço panorâmico; um pretexto mais do que válido para que o chef executivo Paulo Pinto, capitão da selecção olímpica de culinária, criasse um novo menu estival que se estende também, ainda que de outra forma, ao restaurante-bar La Terraza.

Num caso e noutro, o hotel, que se vem desdobrando em várias iniciativas (entre elas, um jantar-arraial que terá lugar na véspera de Santo António), quer ser levado a sério pela sua vertente gastronómica e que quem não está aqui hospedado pense nele como uma alternativa a outros bons restaurantes da Linha.

Não provei o novo cardápio do Belvedere, mas posso adiantar que possui um menu de degustação, às quartas-feiras, por €30/pessoa (sem bebidas, sendo que nos restantes dias, o preço médio é de €50). A proposta passa por ser mais gourmet e refinada, dividida por entradas (como tártaro de bisonte em flor de alcaparra ou carpaccio de vieiras), massas e risottos, pescados (como naco de atum na chapa com citronela), carnes (como carré de borrego assado com alecrim) e sobremesas (a parte mais generosa da carta).

Não é uma incursão na alta gastronomia — tão pouco há pretensões a esse nível, pareceu-me —, mas antes, e uma vez testada a fórmula anterior, uma tentativa de trazer uma maior sofisticação à cozinha de base mediterrânica. Por outras palavras, a ementa continua abordável para a maioria dos paladares, que reconhecem ingredientes e sabores, mas permite-se algumas inovações e um apuro da técnica.

[No topo, da esq. para a dir.: couvert; La Terraza; brusqueta de mozzarela; em cima, da esq. para a dir.: vieiras coradas com puré de ervilha; close-up do guardanapo; pastelinhos de baunilha com sorvete de maçã verde (fotos de JMS)]

No caso do La Terraza, posso falar com maior conhecimento de causa. Como preço médio estima-se um valor de €25 à cabeça (sem bebidas), mas há várias possibilidades, pois a ementa divide-se em couvert (entre €3 e €5), tapas frias (todas a €8), tapas quentes (todas a €12) e sobremesas (todas a €6) — existem outras sugestões, mas esta é a espinha dorsal do menu estival do La Terraza.

No couvert, provei o pão de azeitonas e o queijo de ovelha amanteigado, que é sempre um bom entretém de palato. Seguiu-se, nos frios, uma brusqueta com mozzarela de búfala, rúcula e foie gras, que faz perfeitamente as vezes de um prato ligeiro; e umas vieiras coradas com puré de ervilha e bacon, nos quentes, que achei interessante, mas que não me convenceu por inteiro; a finalizar, nas sobremesas, pastelinhos de baunilha com sorvete de maçã verde e creme de frutos vermelhos, bom de comer, mas não tão bem conseguido visualmente. Aliás, se me é permitida a observação, eu diria que, de uma forma geral, achei o empratamento — porque os olhos também comem — um pouco démodé.  Podem conseguir um efeito melhor, tenho a certeza, se optarem por algo mais clean, sem precisar de ser minimal. 

[Vinhos Senhor d'Adraga, produzidos pela Quinta de Santa Maria, em Colares (fotos D.R.)]

Interessante foi também a parceria iniciada com os vinhos Senhor d'Adraga, produzidos pela Quinta de Santa Maria, em Colares. São vinhos muito jovens ainda, mas que contam com incentivos de peso como a recente medalha de prata conquistada pelo branco de 2010 no Concurso Mundial de Bruxelas, e se revelam particularmente intensos devido à sua forte mineralidade (sente-se a influência marítima). O seu aroma frutado engana um pouco, pois na boca revelam-se ácidos. Não nos conquistam ao primeiro gole, nem perduram muito na boca, mas não nos deixam indiferentes e têm personalidade. Um caso a seguir.

Restaurante-bar La Terraza | Grande Real Villa Itália Hotel & Spa, rua Frei Nicolau de Oliveira, 100, tel. 210 966 000, todos os dias, entre as 12.30 e as 22.30
Restaurante Belvedere | Grande Real Villa Itália Hotel & Spa, rua Frei Nicolau de Oliveira, 100, tel. 210 966 000, de ter. a sáb., entre as 19.30 e as 22.30 (a partir de Julho, durante o Verão)

17.9.10

as quintas do flores

[Menu Tapas Gourmet, em cima, e panorâmica do Flores, à noite, foto de JMS]


A convite do Bairro Alto Hotel, ao Chiado, fui conhecer o novo menu Tapas Gourmet, disponível desde Agosto, aos jantares, todas as quintas-feiras no seu restaurante Flores.
Friso que foi a convite por uma questão de transparência - que tratarei de manter como princípio deste blogue sempre que for o caso, o que não é possível muitas vezes noutros espaços -, mas isso não me impede de dar aqui uma opinião sincera e isenta.
Assumo sem rodeios que tenho uma simpatia especial por este hotel, aberto há cinco anos; pela sua localização, pelo charme, pela equipa motivada e, sobretudo, pelo que mudou na hotelaria da capital, sendo um dos primeiros, e mais dinâmicos, a tudo fazer para não cair na "mesmice" e atrair a si lisboetas ou não que, não estando hospedados no hotel, não se querem privar do seu bar ou do seu terraço (eleito, ainda há pouco, com um dos mais panorâmicos em todo o mundo), por exemplo.
Pequeno e intimista, o restaurante tem alinhado pela mesma postura. Passou por algumas mudanças, mas desde há um bom tempo que o chef Luís Rodrigues assume o seu comando e se empenha em, de tempos a tempos, introduzir novidades. É o caso deste conceito agora introduzido, pensado para os jantares das quintas-feiras. Composto por couvert (destaco a pasta de beringela e o pão com azeitonas) quatro entradas (gostei mais das lascas de presunto Pata Negra, com pão rústico tostado e piso de coentros, e das vieiras com molho de gengibre e alcachofras), um prato quente, três sobremesas (gostei mais do crème brulée de laranja) e café. O custo por pessoa é de €38,50 e não inclui bebidas (só o café). Não é um preço para todas as carteiras, nem um conceito para todos os gostos (as doses são minimais, prestando-se a quem aprecie o espírito da degustação), mas cumpre perfeitamente o proposto.

Bairro Alto Hotel, Pç. Luís de Camões, 2, tel. 213 408 252, todas as quintas-feiras, das 19.30 às 22.00, reserva aconselhada
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